Fallen, O Filme - Mais Um Clichê Adolescente

Após anos de espera de milhares de fãs que apenas especulavam sobre quem seria o lindíssimo Daniel Grigori ou o bad boy que todo mundo quer, Cameron Briel, Fallen chegou aos cinemas brasileiros! E a chegada dele fooooooooi...bem mais ou menos, vou confessar.


Começando pelo pior, o que mais me incomodou no filme veio logo nos primeiros minutos. Caso você tenha lido Fallen sem saber exatamente do que se tratava, você sabe o quanto a autora se esforça pra esconder o jogo. Eu me lembro de estar na metade do livro e só então começar a pensar “opa, alguém tem asa aí”. Esse não é o caso do filme. Ele te entrega praticamente tudo logo de cara. É algo tipo “oi, esses são os anjos, eles caíram por causa disso, aqueles ali são malvados, e tem essa menina panguando no meio que possivelmente vai morrer”.

Isso me deixou muito decepcionada. Não só por ser diferente do livro, mas por matar uma boa parte do mistério tão cedo, o que deixa qualquer um que vá ver o filme, bem, como posso dizer, entediado pra caramba. Um truque velho de roteiro é dar pistas pro público, pra que ele se sinta esperto por saber algo que o protagonista (no caso, a Luce) não sabe. Isso não foi dar pista. Isso foi anunciar toda a trama num megafone. Muito triste.


Conforme as cenas vão passando, você é apresentado a todos os personagens, o Cam, a Arriane, Gabbe, Molly, Roland...e, claro, o Daniel Grigori. Apesar de quase todos os atores, com exceção do Irvine e Lola (Penn), serem iniciantes, tendo Fallen como o primeiro trabalho grande deles, não achei a atuação de ninguém ruim. Cada um representou bem o papel que tinha, adotando as características do livro e dando vida na tela a personagens muito queridos, com exceção da Luce, mas isso eu explico mais tarde.

A personagem/atriz que mais amei foi a fofíssima Penn, muito bem interpretada pela Lola Kirke. Entretanto, apesar de ter gostado de como a atriz interpretou Penn, detestei o fato de que o jeito que acharam de “enfeiar” Penn foi colocando (adivinhem) óculos nela. O Buzzfeed recentemente fez um artigo sobre como esse truque do óculos é velho. Mas tão, tão velho e tão, tão ruim que ninguém menos ninguém mais que Isaac Asimov fez uma crítica a ele lá em 1956. Ela dizia:

“Existe alguém tão obtuso a ponto de não ver que os óculos não afetam em nada a beleza da personagem? [...] Os óculos não são literalmente óculos. Eles são um símbolo. Um símbolo de inteligência. O público é ensinado duas coisas: (a) a evidência de muito estudo é prejudicial socialmente e causa infelicidade; (b) educação formal é desnecessária [...] e a limitação intelectual leva a felicidade.”

Penn, portanto, é a amiga feia, mas inteligente, como se um óculos fosse capaz de tirar a beleza da atriz. Isso é ofensivo, machista e antiquado demais, porém comum em filmes de adolescente como Fallen. Não só filmes, na verdade, como livros também, já que no livro a história é a mesma, Penn continua sendo a amiga feia. Não acha que a menina do óculos é clichê? Bem, vamos ver alguns exemplos:

O Diário da Princesa



                                                          Ela É Demais


      
Miss Simpatia

Pois é. Decepcionante, mas não surpreendente. Ainda não acredita que avacalharam com a personagem? Ok, vou te contar o seguinte: zoaram tanto a Penn, que em certa cena ela dorme com O DEDO NA BOCA. Como se fosse um bebê de meses. Juro. Foi absurdo.

Esse, claro, não foi o único clichê. Temos vááários pra escolher. Por exemplo, o momento em que nossa protagonista conhece Daniel Grigori e faz aquela cara de “oh, estou apaixonada”, só que na verdade ela está observando, de um jeito bem stalker, o cara dormir. Ele acorda, a encara como se ela fosse o amor da vida dele e imediatamente foge dali. Lembra alguém? Não? Vamos continuar então.

Vamos falar do Cam. Garoto mau, todo ~malandrão~ da escola, encara Luce Price como se ela fosse feita de chocolate e ele fosse um chocólatra. Por quê? Não sei. A atriz que faz Luce, Addison Timlin, é realmente bonita, mas não é alguém que pararia o trânsito com um mero olhar. É só uma moça bonita.

Luce, a menina bonita comum que todo mundo ama, apesar de ela não ser nada extraordinária. Ainda não lembra alguém? Tudo bem, eu lembro pra você: Bella Swan.

Não é um, nem dois, nem três elementos desse filme que me lembram Crepúsculo. Praticamente tudo me lembra aquela saga. Desde o protagonista menino bonzinho branquinho loirinho, até a outra ponta do triângulo, o bad boy mais moreno (se bem que só no cabelo nesse caso), e a ponta final, a menina comum que todo mundo ama (sem motivo). A amiga não tão bonita que fica com o cara meio bobinho, uma desgraça básica e, claro, o elemento fantástico.

Não vou dizer que é uma cópia, porque algumas (poucas) coisas se salvam, uma virada no enredo aqui e acolá, o cenário bonito, o fato de que Luce no livro tem um pouco mais de personalidade que Bella Swan, e que Addison Timlin é uma atriz muito mais expressiva que Kirsten Stewart. Porém, sinceramente, é só isso.

A adaptação trai demais a história original. A escola, que deveria ser um lugar horrível e caindo aos pedaços, quase uma prisão só que com adolescentes problemáticos e não criminosos perigosos, vira um internato de gente RYKA num castelo lindo, com direito a sessões de terapia e ─ pasme ─ aula de esgrima! Claro que tudo isso é feito para dar um ar super gótico para o filme, mas eles podiam ter feito isso de outra forma, fora que o clima de melancolia eterna cria deixa a história e os personagens totalmente unilaterais, detonando toda a construção do livro (não é muita, mas é algo).

Além disso, o roteiro é apressadíssimo. Não dá tempo de se apegar aos personagens ou entender a conexão que eles têm, apesar de o filme tentar te explicar de novo e de novo e de novo, como se você fosse uma completa mula.

Os efeitos especiais dão vontade de chorar, juro pra vocês. Pensa numa pessoa caindo como uma tábua, duríssima, sem mexer um único músculo. Pensa nessa pessoa caindo do primeiro andar de um prédio. Pois é, ruim assim. Fora as cenas que você só vê o close na cara do ator no meio de uma nuvem colorida, quando os personagens deveriam estar voando. Asas, pra que asas? ‘Bora só colocar o rosto da galera, ou no máximo umas luzes no meio de mais nuvens. Juro.

Sinceramente, esse filme tinha potencial de ser bem melhor. Fallen, o livro, é bem bobinho e cheio de clichês (e machismos básicos de todo dia), mas é, de longe, melhor que outros livros do tipo, como o já mencionado Crepúsculo. Tinha a novidade de contar a história em um reformatório, novidade morta no filme e de ter um elemento fantástico novo, anjos, só que os efeitos matam isso também.


Se você não leu o livro, talvez o filme não te deixe com vontade de dormir ou chorar ou ir embora. Dá pra passar o tempo, como uma boa sessão da tarde. Se você leu, porém, leve uns lencinhos, um travesseiro e se prepare. 

Se quiser saber um pouco mais da autora, veja essa entrevista que eu fiz com ela para o Nerd Site:




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