Animais Fantásticos e Onde Habitam ou ROWLING RENASCENDO DAS CINZAS

O que dizer de Animais Fantásticos e Onde Habitam, esse filme que mal vi e já amo tanto?


Desde o final do sétimo livro de Harry Potter, os trabalhos de Rowling tinham fugido do mundo bruxo, e enquanto uns acertaram em cheio (tipo Morte Súbita), alguns deixaram um pouco a desejar (oi, Cuckoo's). E assim os anos foram passando, mas os fãs que cresceram com esses livros nas mãos, ano após ano esperando por novos livros e novos filmes, não cansaram de esperar por mais do incrível mundo mágico de Harry Potter.

E aí lançaram Cursed Child, que foi, de longe, o pior livro-script-peça-que seja de todos os tempos e uma conversa para outro dia, outra resenha.

Quando a notícia de Fantastic Beasts chegou até moi~, fiz questão de ignorar e fugir de toda e qualquer referência, foto, trailer, qualquer informação mesmo. Eu estava muito decepcionada com o resultado do tal "oitavo livro", e não conseguia entender como a minha autora favorita havia deixado que pessoas aleatórias pegassem meus personagens mais amados e jogassem todos no lixo. Não queria mais ver o mundo com o qual cresci ser destruído.

Aí veio a notícia de Johnny Depp e sua participação no filme como ninguém menos ninguém mais que Gellert Grindelwald. Depp, recentemente acusado de comportamentos abusivos. Depp, que não tem nada a ver com Gellert. Depp, sendo aclamado por Yates e pela Rowling.

Uma amiga já tinha comprado o ingresso para Animais Fantásticos, e foi por respeito a ela e com o maior e profundo desejo de odiar esse filme e boicotar todos os outros que eu fui até o cinema há quatro horas.

E, #@¨$¨&$%¨$#@$@#¨, ROWLING, POR QUE VOCÊ É TÃO BOA NISSO, MULHER?!!?!?!?!!ONE!!


Simplesmente não dá pra odiar esse filme. É impossível. É uma OFENSA a tudo que envolve Harry Potter, aos lufanos que FINALMENTE ganharam a atenção, respeito e fama que merecem, é simplesmente HERESIA POTTERIANA não gostar desse filme.

Da trilha sonora a fotografia, da brilhante atuação de todos os envolvidos a questões políticas e sociais, Animais Fantásticos e Onde Habitam é a redenção de Rowling perante seus fãs depois do completo desastre que foi A Criança Amaldiçoada.

Começamos o filme seguindo Newt Scamander pela cidade de Nova Iorque no início do século passado (palmas pela incrível construção da cidade, por sinal), e se tem alguém que representa muito bem a Lufa-Lufa, esse alguém é o Newt. Fofo, gentil, determinado, leal e trabalhador, ele anda pelas ruas da metrópole com seu jeito todo desengonçado e olhar curioso, mas também com a determinação de alguém que tem um único objetivo em mente, e que não irá deixar de cumprir seu compromisso por nada - afinal, lufanos são conhecidos por sua lealdade.

Infelizmente, o mundo não facilita a vida de Newt. Na verdade, ele não facilita a própria vida, sendo honesta. Nada parece ser um obstáculo para atingir sua meta, incluindo documentos necessários para um bruxo estrangeiro visitar os EUA ou até mesmo comportamentos corretos e seguros em frente a trouxas. 

Em meio a um probleminha básico aqui e ali (tipo, sei lá perder um bicho mágico ilegal dentro de um estabelecimento trouxa), Newt conhece Tina Goldstein, uma mulher que não poderia agir de forma mais oposta a ele se quisesse. Seguidora exímia da lei, Tina não curte as loucuras do Newt. Ele tenta fugir dela (ele tem uma missão a cumprir afinal!), juro que tenta e daí pra frente os dois acabam se metendo onde não são chamados, entrando cada vez mais no buraco negro que é um mundo bruxo paranóico e aterrorizado, já que Gellert Grindelwald está foragido.

Ah, eu falei os dois né? Então, mentira. São três. Tem o Jacob, um no-maj sortudo pra caralh...mba que vira testemunha de muitas coisas que não deveria. Ops, eu disse três? Menti de novo. São quatro. Tem a linda da Queenie Goldstein também.


O que começa como uma viagem relacionada a animais mágicos logo se transforma em uma jornada perigosa quando esses quatro descobrem a presença de um ser muito poderoso e sombrio em Nova Iorque, ser esse que só causa destruição e ameaça expor o mundo para toda humanidade. Pior ainda é envolver uma seita muito bizarra no meio, daquelas bacanas de antigamente que se juntavam pra perseguir bruxos porque eles eram do mal/satânicos/demônio no corpo, sabe? Pois é. 

O enredo é relativamente simples, na real, mas o que o faz ser tão interessante é todo o background que temos do universo bruxo da época. Somos apresentados a um mundo bruxo cauteloso, receoso e que está disposto a usar de qualquer meio para garantir um único fim: evitar uma guerra (e, portanto, a exposição do mundo bruxo). Tal guerra está pra começar, graças ao Lorde Vold- caham, - Gellert Grindelwald, e qualquer atitude impensada ou acidente de maior proporção pode ser a gota d'água necessária para que essa guerra se inicie. Um bruxo estrangeiro que não se preocupa com leis e leva animais mágicos para uma cidade sendo aterrorizada por uma criatura bizarra do mal, por exemplo, é um péssimo sinal e risco que ninguém está disposto a correr. 

Ao contrário de Cursed Child, tudo nesse filme faz sentido (ok, quase tudo), e apesar de apenas um plot twist me pegar levemente de surpresa, não achei nada extremamente previsível ou entendiante (ou mesmo burro), como é o caso do oitavo livro. O filme vai te dando dicas do que está para acontecer, e isso é, na verdade, um velho truque roterístico para fazer você, querido telespectador, se sentir inteligente. Deveria ser meio ofensivo, mas funciona. Funciona demais. Funciona pra CARALH...mba. 

As viradas que acontecem são emocionantes e mantém a trama viva, o que é ótimo considerando que o filme é bem longo. Juro que não dá pra lembrar da vontade de ir no banheiro assistindo Animais Fantásticos. Se não for pelo enredo com background envolvente, ou pelos personagens SENSACIONAIS que são apresentados a você, uma coisa com certeza vai te fazer ficar grudado na cadeira: os efeitos visuais.

Eu não costumo gostar de filmes 3D, eles me dão dor de cabeça e sempre parece muito dinheiro pra pouca animação, mas esse filme me surpreendeu. Além de me mostrar um pouco dessas criaturas lindas que quero conhecer desde os sete anos de idade, os efeitos utilizados no filme realmente fazem bom uso do 3D, e em vários momentos esses bichinhos (ou bichões) lindos voam na sua direção, sendo que eu até me assustei com um inseto uma hora (pensa numa pessoa dando um pulinho na cadeira - essa pessoa sou eu).


Se tudo isso ainda não te convenceu que esse filme vale MUITO A PENA ser visto (apesar de não ser sobre nenhum dos personagens principais dos sete livros), então eu devo mencionar a BRILHANTE, SENSACIONAL, ESTONTEANTE, MARAVILHOSA atuação do fofíssimo Eddie Redmayne, que me fez amar o Newt logo nos primeiros 15 minutos. Esse cara interpretou perfeitamente todas as características de um dos lufanos mais famosos e excêntricos do mundo de Harry Potter, com direito a mal olhar nos olhos de outros personagens e ao mesmo tempo ser muito bondoso, ter uma cara de bobo, mas na verdade ser muito inteligente e AINDA POR CIMA...não posso falar. É spoiler. Mas é FODA. Precisei usar palavrão, dsclp gente. 

E gente...só vou dizer isso, esse cara interpretou tão bem, mas tão bem, que até dançou e empinou a bunda pro nada por esse papel. Sério. Sério mesmo. 

Além dele, temos o incrível Ezra Miller, que também dominou Credence, dando vida a um personagem que aparece menos do que eu gostaria e me fazendo sentir um enorme carinho por ele, apesar de conhecê-lo tão pouco. Katherine (Tina), Dan (Jacob) e Fine (Queenie) também não deixam nadinha a desejar e se igualam ao Eddie no talento. É uma competição pra ver quem atua melhor e cativa mais o público, juro. 

Só não curti muito o Colin Farrell porque...sei lá, acho ele bem meh, especialmente como....................nada, spoiler de novo. 

E bem, pra finalizar, só posso agradecer a Rowling por FINAL-FUCKING-MENTE (tive que xingar de novo, é mais forte do que eu) dar um pouco de honra a Lufa-Lufa. Lufa-Lufa é aquela casa que sofre bullying,  é zoada pelas outras casas, e que se todas tivessem que ir pro mesmo jardim de infância, Lufa-Lufa seria a que ficaria sozinha num canto brincando com um graveto porque Sonserina, Grifinória e Corvinal se recusariam a brincar com ela.

Esse filme e esse personagem INCRÍVEL, NEWT, TE AMO SEU LINDO, vieram pra mudar essa visão. Newt mostra pra todo mundo do que é feito um lufano e chuta a bunda de todas as outras casas, na minha opinião (não que eu seja parcial pra Lufa-Lufa. 'magina. eu só sou lufana também). 

Na verdade, JoJo foi muito inteligente. Percebendo que sua base de fãs cresceu, Rowling nada mais fez que explorar um lado mais adulto e sério do universo que ela criou, chamando seus milhões de filhos pelo mundo para voltar ao seu lar, voltar a Hogwarts, e crescer, mais uma vez, lado a lado a personagens tão amados que muitas vezes nos consolaram quando nossa própria vida parecia sombria e invadida por uma criatura bizarra e maligna.

J. K. Rowling voltou com tudo e me impediu de detestar esse filme ou boicotar os próximos (apesar de saber da presença de Depp neles). Voltando com força total, ela imerge seus fãs no mundo mágico de novo, apresenta novos personagens para serem MUITO amados, criaturas incríveis para serem admiradas e redime a péssima fama de stoner house da Lufa-Lufa. 

Assistir a Animais Fantásticos foi como entrar em casa depois de um daqueles dias longuíssimos e sentar no sofá, cansada, mas feliz, sabendo que estou novamente em casa, e vai ficar tudo bem.

Obrigada, Rowling, por me chamar de volta pro meu lar.

"Whether you come back by page or by the big screen, Hogwarts will always be there to welcome you home."

Obs.: Não vou dizer que um ator e um detalhe em particular me agradaram, porque seria mentira. Mas seria, também, spoiler, então é melhor deixar bem quieto. Mais pra frente a gente conversa de novo! Até mais, meus lindos.








1 comentários:

  1. Eu amei, as filhotas amaram... e JK faz a gente sonhar novamente... Saudades linda!!!

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