Sessão de Terapia: Amélie Poulain



O Fabuloso Destino de Amélie Poulain foi lançado no Brasil em 2002. Dois Mil e Dois. Não querendo soar como minha avó "ó, na minha época", mas parece que faz uma vida que eu vi esse filme pela primeira vez, e, na verdade, já faz mais de uma década. UMA DÉCADA, Devo dizer, não é fácil lidar com o fato de que não sou mais adolescente (há um bom tempo já) e que a vida adulta está aí, e se eu quiser ser uma velhinha feliz (e não aquela rabugenta de filmes que ameaça crianças com um guarda-chuva), eu preciso começar a, bem, viver. 


E, pra mim, essa é a maior lição que Amélie ensinou. 

Opa, desculpe, estou me adiantando. Vamos falar sobre o filme (mas sem detalhes, porque se você não viu ainda, só acho que deveria ver. Só acho. Tipo hoje. agora. vai ver JÁ!).


Petit Amélie sendo fofa e comendo amoras que eu não encontro no Brasil (obrigada por me deixar com vontade, sua linda).















Amélie é uma criança solitária. Órfã de mãe e com um pai que tem uma pedra de gelo no lugar do coração, sem poder ir a escola, ela decide enfrentar sua solidão! Como? Ela faz amigos? Hahaha, NÃO.  Amélie resolve se refugiar nas suas ideias, na imaginação, nos sonhos. Quem nunca ficou no metrô ou no ônibus devaneando sobre como a vida poderia ser? Quem nunca se imaginou rico, viajando por aí, acompanhado ou não de alguém especial? Quem nunca preferiu ficar pelo menos uma hora sonhando do que encarar a realidade? Pois é, todo mundo faz isso, o problema de Amélie é que ela faz MUITO.

Apresento o melhor amigo de Amélie! Super bacana pra um dinossauro imaginário. Verdadeiro parça.
Nossa linda protagonista (sem ironia, a Audrey é linda) permanece voando dentro da própria mente durante anos e meio que nunca aprende a lidar com as pessoas. Não que ela nunca se sinta só, em vários momentos do filme vemos que ela percebe sua solidão e sofre, mas ela realmente não sabe como lidar com ozotro. Ela cria estrategemas, esquemas, planos, acaba se metendo na vida de uma galera, mas nunca percebem o dedinho dela no enrosco todo. Ela se envolve sem se envolver. 

Amélie se metendo na vida alheia.
E se metendo na vida alheia mais um pouco.
E mais um pouco.
E de novo. Lembra que eu falei sobre viver a própria vida adulta? Pois é. E não, ficar se metendo na vida dos outros não conta como viver a sua.
Até que um dia Amélie tem uma oportunidade de mudar tudo! Sair do seu casulo, aproveitar a (própria) vida, realmente se envolver com alguém e, quem sabe, aprender a ser feliz na companhia de outra pessoa, na realidade mesmo, não dentro da cabeça dela. Além de ser uma ótima oportunidade, ela veio como um presente, embrulhada em um belíssimo pacote. 

Acima: belíssimo pacote.
E então Amélie tem um dos maiores conflitos de sua vida: fazer o que quer, arriscar conhecer Nino, um cara que aparentemente tem tudo a ver com ela, ou continuar vivendo na sua zona de conforto, por mais solitária que ela seja? Fica muito óbvio o que ela quer e tenta fazer, mas também fica claro como o medo a paralisa. Como os anos de devaneios e resignação a deixaram enferrujada na arte de conviver (porque vamos combinar que não é fácil né?).

Eeee eu vou parar por aqui. O que acontece, caso não saiba, cabe a você descobrir. É um filme clássico, que aborda com leveza e bom humor temas bem complicados, como medo de ficar só, medo de se envolver com as pessoas, solidão etc. Todos os personagens são interessantes e diferentes, apesar de um tanto caricatos (porém, isso funciona muito bem dentro da proposta do filme). 

A fotografia é incrível. Com inúmeras paisagens parisienses em tons de amarelo, o filme retrata muito bem a sensação de viver em um mundo de sonhos, idealista, somente para sonhadores, como é o mundo de Amélie e Nino. A narração é útil e dá um toque de humor. Elenco impecável. E meldels, o que dizer dessa trilha sonora que conheço há 13 anos e não canso nunca?



Sinceramente, quanto aos quesitos técnicos, não há o que reclamar. E em relação ao enredo também não. E, na verdade, não é por isso que resolvi falar desse filme.

Fiz esse post porque há muitos anos não via Amélie, e tinha uma vaga memória sobre a história, uma ideia romântica e rasa, e Le Fabuleux Destin D'Amélie Poulain é muito mais do que isso.

A primeira vez que assistir esse filme eu era uma pré-adolescente de 12 anos. Lembro de ter gostado muito, mas nunca entendi muito bem porque tanto amor por uma obra tão peculiar, tão diferente dos filmes hollywoodianos que eu via, dos contos de fadas da Disney, enfim, diferente de tudo.

Hoje consigo ver que, de alguma forma, meu cérebro estava me informando que eu tinha muito em comum com a protagonista. Não é fácil essa vida de adulto. Não é fácil saber o que queremos fazer na vida profissional, encontrar alguém para compartilhar nosso mundo, ter amigos e saber lidar com os conflitos, tudo isso dá trabalho, e apesar dos nossos esforços, nem sempre dá certo.

Acho que a grande questão nesse filme e na vida é: vale a pena? E sim. Com certeza vale.


Pelo menos é isso que eu acho. Se você quiser saber o que a Amélie pensa, recomendo que assista o filme assim que possível. Ontem. Sei que essa resenha foi bem vaga, mas creio que se você se identifica um pouco com o mundo de Amélie, vale a pena assistir tudo e tirar as próprias conclusões, se emocionando com aquilo que nos toca sem nem entendermos muito porquê.

Até a próxima!





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